Considerações sobre o toque.
Queria falar sobre o toque [do tipo com quê, u, e ê, não o com cê].
Mas, primeiramente, vou falar sobre a timidez. Eu sou timida, sabia? Os que vão responder pra mim, provavelmente vão dizer sim, pois são as pessoas que me conhecem de fato. As outras, provavlemente vão ficar minimamente surpresas com isso.
Sim, eu sou timida. Do tipo, bastante, assim. E 99% das pessoas que me conheceram [superficialmente] nem suspeitam disso. Alias, provavelmente ririam se alguém dissese isso.
Isso era uma coisa que me confundia, antes, mas agora acho até bom. É uma espécie de teste que eu tenho: só quem me conhece mesmo, e se deu trabalho pra isso, sabe que eu sou assim, então, por eliminação, os que não sabem, é que não me conhecem. Já me decepcionei um pouco por causa disso – sabe quando você acha que a pessoa te entendeu, e…. não? Mas é bom, no fim. Um testezinho que parece uma pergunta boba pra quem ouve, mas no fundo mostra muito. É bom.
Mas enfim, é, tímida. Eu consigo agir como se nao fosse, em determinadas situações -e enganar bem, até, mas duro só por tanto tempo, e em determinadas situações e ai, se foi fachada de pessoa bem engajada. E também tem outras stiruações que realmente… não dá. Sou péssima com interações um-a-um com gente que conheço, mas não muito bem – mais do que gente que desconheço – pode ser uma coisa de sorriso no corredor, perdi pra passar um folha, é deprimente. Para falar com grupinhos – mesmo que pequenos, com gente que conheço – é um horror, gagejo, simplesmente não sai coisa com coisa. Não consigo olhar ninguém no olho, nem amigo, sem ficar vermelha. Até pra comprar coisa na lanchonete tenho coisa, olha só.
Explicando assim, talvez não pareça, pois como um amigo gosta de dizer, palavras são defeituosas, mas enfim. Acreditem, okay?
Agora o que eu inicialmente queria falar.
Toque.
O que tem a ver, podem se perguntar. Bem, o negócio é o seguinte: minha timidez inclui – ou talvez isso seja uma parte da minha timidez – ou melhor um certo problema com o toque. Sabe aquelas criancinhas histéricas berrando no shopping pq os pais tentaram dar um abraço? Então.
Claro que não era uma coisa constante, senão foderia toda a teoria do apego [não que eu seja um ser humano particularmente bem ajustado] mas era rarissimo eu deixar as pessoas simplesmente enconstar em mim. Eu que tinha que iniciar contato [abraçar vs ser abraçado] e rarissimas pessoas podiam, mesmo assim, e era por muito pouco tempo. Sei lá, me angustiava, eu simplesmente me sentia mal com gente mexendo em mim.
E isso durou bastante tempo. Até lá pela sexta série, quando eu tive uma amiga loca que ficava me abraçando contra a minha vontade, até eu meio que me acostumar com isso. Mas ainda sim, era muito especifico, incluia mais pessoas, e, novamente, eu que tinha que iniciar.
Mas foi ‘melhorando’. Um dia comeceia namorar, lá pelas tantas, e com ele era sussa, não me incomodava o toque [obviamente, senão seria um namoro complicado], o que expandiu os meus horizontes. Fui conhecendo pessoas novas, cada uma com uma classificação. Algumas podiam, outras não, algumas só as vzes, e não tinha muito a ver com quanto eu gostava delas, esse é o pior.
Enfim. Fui namorando mais, conhecendo mais gente, me acostumando, e foi melhorando. Mas era sempre uma coisa meio assim. E talvez por causa disso – muito provavelmente por causa disso – eu nunca dei muita importancia pro toque como forma de comunicação. Alias, eu desconsiderava completamente todo o físico de uma conversa/interação. Sabe aquelas pessoas que acham que não falta nada numa conversa por msn? Então. Eu era uma pessoa que cria piamente na palavra.
Ai esse ano rolou uma revolução. Não sei se foi o tipo de pessoa que eu conheci, se elas tem uma certa característica em comum [ o que faria sentido, dado o curso o qual elas fazem] mas eu comecei aperceber como o toque, de fato, sginifica.
Primeiro que comecei a, eu mesma, dar muito mais significado ás minhas ações fisicas, sendo que antes eu era meio paradona e com linguagem corporal [ainda mais] estranha. Segundo que comecei a entender muito melhor a das outras. E nesse processo, fiquei muito mais confortavel com o toque alheio também. Acho que talvez tenha algo a ver com aquela coisa toda de “você teme o que não conhece”, será?
Claro que nada é perfeito. Se meu humor está qqr coisa menos do que bom, eu reverto á minha aversão intermediaria. Se muito estressada, pareço criança denovo, me dá vontade de berrar quando enconstam em mim [e precisamente uma pessoa me viu desse jeito e não foi bonito].
Mas estou melhor. E me maravilho com que um simples toque de nariz-bochecha pode querer dizer.
Julho 7, 2008 at 5:10 am
Eu não te conheço bem…mas pelo menos me dou o trabalho de tentar neh?! haha
E eu não tenho problema nenhum em ser tocado…(btw amo abraços) mas tenho problemas para iniciar uma ação de toque…talvez eu tenha que quebrar algumas barreiras internas ainda…sei lá… isso faz de mim tímido?! Maybe…
Julho 9, 2008 at 2:26 pm
Talvez você tenha aprendido, ou ainda vá aprender, que por ações físicas (linguagem corporal) as pessoas falam muito mais do que por palavras. Palavras são facilmente mudadas com um mínimo de esforço mental pra mentir… mas só um mentiroso profissional sabe mudar a linguagem corporal. Toque, principalmente pras mulheres (que tem o dobro de nervos periféricos em relação aos homens), significa intimidade. Já viu homens se tocando? Só quando são muito amigos… senão já é bixisse. Quem sabe sua averssão ao toque não seja exatamente ao toque… talvez seja proteção… i wonder from what then…